A temporada de resultados do segundo trimestre surpreendeu positivamente o mercado, impulsionada pelo desempenho da economia doméstica e uma recuperação pontual das exportadoras de commodities. Apesar disso, os primeiros sinais de desaceleração econômica e a expectativa de que essa tendência se intensifique no segundo semestre preocupam analistas e investidores.
O impacto das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e a possibilidade de novas sanções aumentam as incertezas para empresas expostas ao mercado americano. A isenção temporária de algumas taxas, como sobre aviões da Embraer, trouxe alívio no curto prazo.
Levantamento do Valor Data com 386 companhias não financeiras mostra que o lucro líquido mais que dobrou em um ano, impulsionado pela redução de despesas financeiras com o recuo do dólar, enquanto as receitas cresceram 9,6%, alcançando R$ 1,02 trilhão. Apesar do crescimento, há sinais de desaceleração, com queda sequencial nas margens bruta e operacional.
Os setores domésticos, principalmente varejo de vestuário, saúde, construção civil, educação, transporte e alimentos e bebidas, apresentaram resultados robustos. O varejo se destacou devido a um inverno rigoroso e base de comparação mais fraca, impulsionando vendas de empresas como Lojas Renner, C&A e Guararapes.
Em contraste, exportadoras de commodities tiveram desempenho mais fraco devido a preços internacionais baixos e valorização do real, embora mineração e papel e celulose tenham mostrado recuperação parcial. A siderurgia segue pressionada por importações recordes de aço.
Um tema recorrente foi o foco em eficiência interna e cortes de custos, ajudando a superar expectativas do mercado. Para o terceiro trimestre, analistas esperam resultados mais fracos, principalmente para empresas dependentes de crédito, enquanto a desaceleração deve continuar, sendo a intensidade o principal ponto de atenção.