Como fazer para conseguir proteger o patrimônio financeiro e pessoal mesmo em um cenário de menor liquidez global?
Beny Fard, CFP, responde:
A economia global vive um verdadeiro turbilhão em face dos efeitos econômicos pós-pandemia e, mais recentemente, dos movimentos estratégicos do presidente americano Donald Trump, forçando centenas de nações ao redor do mundo a também reverem suas estratégias econômicas e geopolíticas.
Em um período em que os principais bancos centrais do mundo seguem políticas mais restritivas, reduzindo estímulos e elevando taxas de juros para conter a inflação, um cenário se intensifica: menor liquidez global.
Nessa nova realidade, investidores e famílias enfrentam dilemas e desafios importantes: como proteger o patrimônio, evitar o endividamento desnecessário e manter a solidez do planejamento financeiro?
Algumas respostas a tais dúvidas consistem na construção de uma carteira diversificada de investimentos, mantendo foco em produtos financeiros de qualidade, ativos que protejam o investidor de perdas na bolsa de valores (defensivos) e, por fim, mas não menos importante, uma abordagem mais racional e disciplinada.
Tais alocações podem contemplar ativos de renda fixa, tais como títulos públicos federais indexados à inflação (como o Tesouro IPCA+), que oferecem rendimento real positivo e segurança, servindo como ferramentas valiosas no planejamento financeiro Tais alocações podem contemplar ativos de renda fixa, tais como títulos públicos federais indexados à inflação (como o Tesouro IPCA+), que oferecem rendimento real positivo e segurança, servindo como ferramentas valiosas no planejamento financeiro risco e liquidez planejada (de preferência dentro dos limites de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito - FGC).
Uma segunda estratégia pode consistir em “olhar para o exterior”, pois em períodos de custo de capital mais alto, aversão ao risco e dólar em alta, ativos internacionais podem servir como instrumentos de proteção patrimonial.
Seja de forma direta, atrelando suas alocações a moedas fortes com ativos dolarizados, ou mesmo via ETFs globais, fundos de investimento internacionais e fundos cambiais, a diversificação internacional pode ser um caminho.
Outra estratégia pode contar com ativos que sirvam como reserva de valor real, dentre os quais o ouro, por meio de fundos de ouro, que continuam sendo uma estratégia clássica de proteção, principalmente quando o investidor busca ativos reais que não
sofrem com a desvalorização de moedas. Commodities ou ETFs lastreados em commodities também podem ser considerados, pois permitem acesso facilitado a esse tipo de proteção.
Imóveis geradores de renda também são uma estratégia importante, pois a renda passiva é uma meta comum entre investidores com foco em independência financeira, e os fundos imobiliários (FIIs), especialmente os atrelados a contratos longos e corrigidos por índices de inflação, mantêm boa atratividade mesmo em cenários de juros altos. Entretanto, nestes casos, é fundamental avaliar vacância, perfil dos inquilinos e a qualidade dos ativos no processo de seleção do FII.
Caso a estratégia esteja aberta à renda variável (perfil de investidor moderado ou agressivo), a alocação em ações de empresas resilientes (“value”), priorizando fundamentos sólidos, baixa alavancagem e presença em setores essenciais e defensivos (energia, saúde, consumo básico), pode ser uma boa alternativa.
Por fim, é imprescindível contar com um bom planejamento financeiro, sempre com o apoio de profissionais certificados
Beny Fard é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento.
E-mail: beny.fard@b8.partners
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