As ações de petroleiras da Bolsa registram fortes ganhos seguindo a alta do petróleo nesta segunda-feira (2), em meio ao ataque dos EUA e Israel ao Irã. Às 10h14 (horário de Brasília), PRIO (PRIO3, R$ 56,90, +4,42%), Brava (BRAV3, R$ 19,31, +3,76%), Petrobras (PETR3, R$ 44,07, +3,14%; PETR4, R$ 40,68, +3,43%) e PetroRecôncavo (RECV3, R$ 12,65, +2,68%) avançavam entre 2,5% e 4,5%.
A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionava a alta de cerca de 8% dos preços do petróleo nesta manhã de segunda-feira.
Em relatório Regis Cardoso, head de óleo, gás e petroquímicos da XP, avalia ser importante observar que há uma incerteza significativa em relação aos desenvolvimentos futuros e, neste estágio, só pode-se trabalhar com análises de cenários para o petróleo.
Embora uma possível interrupção da produção iraniana de petróleo seja significativa, o principal risco reside na propagação do conflito pela região e no potencial impacto nos fluxos comerciais através do Estreito de Ormuz por um período prolongado.
“Duas dimensões principais devem ser avaliadas: (i) o escopo e (ii) a duração do conflito. Por um lado, pode haver uma saída diplomática que alivie as tensões. Por outro lado, a situação pode se deteriorar e se transformar em um conflito regional mais amplo que continue a interromper o fluxo de petróleo, potencialmente por um longo período”, aponta.
Neste contexto, as ações de E&P (exploração e produção) provavelmente se beneficiam dos preços mais altos do Brent.
Para cada aumento de US$ 10/bbl (barril) no Brent, estima que os FCFE yields (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre) aumentem aproximadamente 10 pontos percentuais (pp) para a Brava (BRAV3), +6 pp para a PetroReconcavo (RECV3) e +5pp para a PRIO (PRIO3) e a Petrobras (PETR3;PETR4).
“Dentro de nossa cobertura, continuamos a preferir a PRIO e a Petrobras – essas são as duas empresas menos alavancadas em relação aos preços mais altos do petróleo, mas acreditamos que elas continuam a oferecer o melhor equilíbrio entre risco e retorno”, avalia a equipe da XP.
O Bradesco BBI ressalta que a principal incerteza reside na duração e na intensidade do conflito. Caso o estreito de Ormuz permaneça parcialmente comprometido e o prêmio geopolítico se sustente, há espaço para preços de petróleo mais altos no curto prazo —movimento que os EUA tendem a monitorar de perto dada sua potencial influência sobre a inflação.
Para as empresas sob a sua cobertura, o impacto dependerá da relação entre a alta do Brent e o aumento dos custos de frete e seguro. Companhias mais expostas ao preço à vista e com menor proteção via hedge —como Petrobras, PRIO e PetroReconcavo —tendem a capturar melhor eventuais altas adicionais do petróleo.
Já empresas com maior cobertura de hedge, como Brava Energia, devem sentir um efeito mais moderado no curto prazo. “Em nossa avaliação, ampliar exposição ao setor com base em um evento cuja duração ainda é incerta —e que pode se encerrar rapidamente —representa um movimento taticamente arriscado”, conclui.
