A Amazon oficialmente destronou o Walmart como a maior empresa do mundo em vendas, um marco que atesta a enorme escala que a gigante do comércio eletrônico e da computação em nuvem alcançou desde seu começo modesto em 1994 como vendedora de livros on-line na garagem do hoje bilionário Jeff Bezos, na região de Seattle, no norte dos EUA.
A rede de hipermercados Walmart, que havia sido a maior empresa em receita por mais de uma década, na quinta-feira reportou vendas de US$ 713,2 bilhões nos 12 meses encerrados em 31 de janeiro.
A Amazon, que opera em um ano fiscal encerrado em dezembro, no início deste mês divulgou vendas de 2025 de US$ 717 bilhões.
Bezos estudou cuidadosamente o fundador do Walmart, Sam Walton, abraçando muitas de suas estratégias de negócio enquanto construía sua empresa. Sua fortuna cresceu rapidamente, e ele pela primeira vez ultrapassou o cofundador da Microsoft Bill Gates como a pessoa mais rica do mundo em 2017.
Atualmente, o fundador da Amazon ocupa o quarto lugar entre os mais ricos, com ativos estimados em US$ 228 bilhões que estão amplamente ligados às suas participações em ações da Amazon, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.
Na última década, a receita da Amazon aumentou a quase 10 vezes o ritmo da do Walmart, impulsionada por uma mudança nos gastos do consumidor de lojas para sites e por seu negócio de computação em nuvem em rápido crescimento, o Amazon Web Services.
A Amazon e o Walmart competem diretamente pelos dólares dos consumidores americanos e o dinheiro de muitos outros pelo mundo. A Amazon é a maior varejista on-line dos EUA, com seu site e aplicativos móveis atraindo 2,7 bilhões de visitas por mês.
Já o Walmart é a maior varejista física do mundo, com mais de 10 mil lojas e clubes de compras globalmente. Ambas as empresas geram a maior parte de sua receita nos EUA.
Do físico para o on-line, mas não vice-versa
O Walmart tem sido mais bem-sucedido em desenvolver sua operação de comércio eletrônico do que a Amazon em sua tentativa de criar um negócio de lojas físicas, apesar de sua aquisição da Whole Foods Market em 2017.
Mas o marco sobre faturamento é mais sobre o domínio da Amazon na computação em nuvem, um negócio em que o Walmart não compete. Sem a AWS, braço da Amazon para computação em nuvem, a receita da Amazon em 2025 teria sido de US$ 588 bilhões. Portanto, sua ascensão repousa em grande parte na importância dos centros de dados como infraestrutura crítica na era da inteligência artificial (IA).
— Esta é uma vitória vazia — disse Kirthi Kalyanam, diretor executivo do Retail Management Institute da Santa Clara University. — A Amazon não derrotou a Walmart no jogo do varejo. Ela apenas os superou em receita ao lançar um novo negócio no qual o Walmart não opera.
Ser a maior empresa em receita do planeta representa principalmente escala e alcance ao consumidor, e não é necessariamente valorizado pelos investidores. Antes do Walmart, a petroleira Exxon Mobil e a montadora General Motors já tiveram essa distinção, que traz consigo maior escrutínio político e expectativas dos clientes.
A gigante de chips Nvidia é a empresa mais valiosa do mundo, com uma capitalização de mercado de US$ 4,5 trilhões, mais do que o dobro da da Amazon e mais de quatro vezes maior que a da Walmart, que recentemente entrou para o clube das 'trilionárias' em valor, ao lado das big techs.
