Muitas empresas crescem olhando apenas para dentro do próprio mercado. Repetem o mesmo modelo, falam com os mesmos públicos, oferecem os mesmos produtos e deixam passar oportunidades que estão em setores próximos, mas ainda pouco explorados. Em um ambiente competitivo, essa visão limitada pode custar caro.
A capacidade de enxergar oportunidades para além do ramo tradicional de atuação se tornou uma das competências mais importantes para empresas que desejam crescer. Em vez de esperar o mercado mudar, organizações mais preparadas analisam tendências, identificam demandas reprimidas e adaptam suas soluções para novos públicos.
É exatamente esse movimento que a Ademicon vem fazendo ao acelerar sua presença no agronegócio brasileiro. A empresa, conhecida pela atuação no mercado de consórcios, passou a enxergar no campo uma frente estratégica de expansão em meio ao encarecimento do crédito, juros elevados e maior demanda por planejamento financeiro entre produtores rurais.
Ademicon mira o agro como novo motor de crescimento
A Ademicon, uma das maiores administradoras independentes de consórcio do Brasil, quer transformar o agronegócio em até 40% dos seus negócios nos próximos três anos. A meta foi detalhada por Tatiana Schuchovsky Reichmann, CEO da companhia, em entrevista à Forbes Agro.
A aposta acontece em um momento de forte crescimento da empresa. Em 2025, a Ademicon faturou cerca de R$ 1 bilhão e alcançou R$ 47 bilhões em créditos comercializados, alta de 73% em relação aos R$ 27,3 bilhões registrados no ano anterior. Para 2026, a expectativa é movimentar R$ 70 bilhões. Apenas no primeiro trimestre, a companhia somou R$ 17,9 bilhões em créditos vendidos, avanço de 90% na comparação anual.
O agronegócio já começa a alterar o perfil da operação. Em 2025, o setor respondeu por 17% dos créditos comercializados pela Ademicon, o equivalente a R$ 8 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, essa participação avançou para 19%, somando R$ 3,4 bilhões dentro do volume total negociado pela empresa. A meta é chegar a 22% ainda este ano, 25% em 2027 e 40% no horizonte de três anos.
A empresa passou a oferecer consórcios para compra de maquinário agrícola, pivôs de irrigação, silos, drones, sistemas tecnológicos e benfeitorias em fazendas. Segundo Tatiana, a companhia vende atualmente entre 20 e 30 drones de grande porte por mês, um mercado que sequer existia na carteira da empresa poucos anos atrás.
Uma CEO que cresceu dentro da empresa
A trajetória da Ademicon também se conecta diretamente à história de sua CEO. Tatiana Reichmann é formada em Administração de Empresas pela Universidade Positivo e tem MBA Executivo em Administração pelo IBMEC. Sua jornada dentro da companhia começou em 1996, quando passou a trabalhar no setor administrativo. Em julho de 2020, 24 anos depois, assumiu o cargo de CEO.
Essa trajetória é relevante porque mostra, na prática, como formação, visão de negócio e experiência acumulada podem construir liderança. Tatiana acompanhou a transformação da empresa desde uma operação menor até uma companhia nacional, com atuação em diferentes segmentos e presença internacional.
Fundada em novembro de 1991, a Ademicon tem 35 anos de atuação e é a maior administradora independente de consórcio do Brasil em créditos ativos. A companhia atua nos segmentos de imóveis, veículos, serviços e outros bens móveis, além de administrar consórcios de outras grandes marcas por meio do modelo Consortium as a Service, o CaaS. Hoje, conta com centenas de unidades de negócio pelo Brasil e lojas em Miami e Orlando.
Durante a entrevista, Tatiana resume bem a mudança de percepção sobre o produto: “Hoje o consórcio é um produto que entrega crédito para o brasileiro em todas as áreas possíveis; no final do dia, o que nós vendemos é dinheiro”.
O consórcio deixou de ser apenas imobiliário
Durante muito tempo, o consórcio foi associado quase exclusivamente à compra da casa própria ou de veículos. A Ademicon percebeu que essa leitura estava limitada. O produto poderia ser reposicionado como ferramenta de planejamento financeiro, formação de patrimônio e investimento, inclusive para públicos empresariais e produtivos.
No agronegócio, essa tese ganhou força porque produtores rurais enfrentam um ambiente de crédito mais restrito, juros elevados e necessidade constante de investimento em tecnologia. Maquinário, irrigação, drones, silos e benfeitorias exigem capital. Quando o crédito tradicional fica caro, o consórcio passa a ser visto como alternativa de planejamento.
“O produtor rural vive o imediato porque o dia de plantar e colher não espera, mas estamos ensinando que o planejamento permite uma atualização tecnológica constante”, afirma Tatiana. Segundo a executiva, enquanto algumas operações privadas podem alcançar juros de até 2% ao mês, as taxas de administração dos consórcios da Ademicon giram em torno de 1,5% ao ano em planos de longo prazo.
Esse movimento mostra como uma empresa pode reposicionar um produto conhecido para resolver uma dor nova. O consórcio, antes visto por muitos como alternativa para imóvel ou carro, passa a ocupar espaço dentro da estratégia financeira do produtor rural.
Buscar novos mercados virou estratégia da empresa
A aposta no agro não é o único exemplo de expansão da Ademicon para mercados ainda pouco explorados. A empresa também tem buscado novas formas de levar o consórcio a diferentes públicos, como mostra o lançamento do Consórcio Flamengo, desenvolvido em parceria com o Clube de Regatas do Flamengo.
A iniciativa oferece opções nos segmentos de veículos, imóveis e serviços, com créditos entre R$ 40 mil e R$ 1,2 milhão, em canal digital. A proposta é transformar a força da marca do clube e a relação emocional com a torcida em uma oportunidade de planejamento financeiro.
Na ocasião, Tatiana afirmou que o lançamento reforça a conexão com o clube e aproxima a Ademicon da torcida, mostrando o consórcio como aliado para quem deseja investir ou tirar planos do papel. O movimento também se conecta à estratégia da empresa de democratizar o acesso ao crédito e ampliar o conhecimento sobre a modalidade.
Esse tipo de ação mostra uma mentalidade administrativa importante: oportunidade não está apenas no produto, mas também no público, no canal, na parceria e na forma de comunicação. Uma empresa que enxerga isso consegue sair do óbvio e criar novas frentes de crescimento.
O administrador precisa enxergar além do próprio setor
A expansão da Ademicon para o agro e para parcerias como o Flamengo reforça uma lição importante para administradores: bons negócios não dependem apenas de eficiência interna. Eles também dependem de visão de mercado.
O administrador precisa ser capaz de ler cenários, identificar setores em crescimento, entender dores de públicos diferentes, avaliar riscos, construir estratégias e transformar oportunidades em modelos rentáveis. Isso exige conhecimento em gestão, finanças, marketing, liderança, planejamento, custos, inovação e análise de mercado.
No caso da Ademicon, a oportunidade surgiu da combinação entre um produto já conhecido e uma nova demanda. O agronegócio precisava de alternativas de planejamento financeiro. A empresa tinha uma solução que poderia ser adaptada a esse contexto. A diferença esteve na capacidade de perceber a oportunidade e estruturar uma operação para atendê-la.
É esse tipo de visão que separa empresas reativas de empresas estratégicas. Enquanto algumas esperam o mercado apontar o caminho, outras analisam os dados, entram em novos segmentos e constroem vantagem competitiva antes dos concorrentes.
Conhecimento transforma ideias em negócios rentáveis
Encontrar uma oportunidade é apenas o começo. Para que uma ideia se torne um negócio lucrativo, é preciso planejamento, execução e gestão. Entrar em um novo mercado exige estudo do público, análise de risco, definição de produto, treinamento de equipes, posicionamento comercial, controle financeiro e capacidade de adaptação.
A Ademicon não apenas decidiu vender consórcio para o agro. A empresa criou uma frente exclusiva para o setor, intensificou presença em feiras como Show Rural Coopavel, Bahia Farm Show, Expointer, Show Safra e Agrishow, e passou a treinar consultores especializados nas particularidades do campo.
Essa é a diferença entre uma ideia solta e uma estratégia de expansão. O administrador precisa transformar percepção em plano, plano em operação e operação em resultado. Para isso, formação e qualificação são fundamentais.
Administração prepara profissionais para identificar oportunidades
A Graduação em Administração de Empresas da Faculdade ICTQ prepara o aluno para compreender diferentes mercados, analisar riscos e desenvolver soluções estratégicas para empresas públicas, privadas ou do terceiro setor. A formação desenvolve competências em liderança, planejamento, gestão de pessoas, controle de processos, empreendedorismo, marketing, custos, produção, inovação e tomada de decisão.
Para quem deseja empreender, crescer em cargos de gestão ou atuar em empresas que buscam expansão, o curso oferece base para identificar oportunidades além do óbvio e transformar ideias em projetos viáveis. O administrador bem preparado não observa apenas o que uma empresa faz hoje. Ele enxerga o que ela pode se tornar amanhã.
O caso da Ademicon mostra que crescimento pode vir da capacidade de olhar para novos setores, adaptar soluções e criar valor onde o mercado ainda não está explorando todo o potencial. Para quem deseja liderar empresas em um cenário competitivo, essa visão é indispensável.
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