Enquanto boa parte das empresas discute modelos híbridos, retenção de talentos e políticas de diversidade, a Natura mantém, há mais de três décadas, uma decisão estrutural que antecedeu essas agendas.
Desde os anos 1990, a companhia opera um berçário corporativo próprio dentro de suas unidades, integrando o cuidado com a primeira infância à estratégia de pessoas.
Hoje, o espaço atende cerca de 180 crianças em Cajamar e no NASP, com uma equipe de aproximadamente 70 profissionais dedicados ao desenvolvimento infantil.
Para Patricia Bobbato, Diretora de Cultura, Desenvolvimento, Diversidade, Equidade e Inclusão e Bem-Estar da Natura, o berçário não é apenas um benefício adicional. “O berçário é, para mim, a expressão única de toda a nossa estratégia de bem-estar”, afirma.
Origem conectada ao propósito da empresa
O projeto nasceu de uma iniciativa do fundador Luiz Seabra, que até hoje participa das formaturas das crianças ao final do ciclo no berçário. A permanência do tema na alta liderança reforça o caráter estratégico da iniciativa.
Segundo Patricia, a decisão está diretamente ligada à razão de ser da companhia.
“Existimos para comercializar produtos e serviços capazes de promover o bem-estar bem. Essa relação harmoniosa do eu comigo, eu com o outro e eu com o mundo”, diz.
A partir dessa lógica, a política de benefícios passou a ser desenhada com foco no desenvolvimento integral das pessoas. O berçário, nesse contexto, tornou-se um dos pilares da proposta de valor da empresa para seus colaboradores.
Estrutura que vai além do auxílio financeiro
O espaço atende crianças a partir de quatro meses até dois anos e onze meses. O funcionamento ocorre das 5h30 às 20h30, contemplando tanto colaboradores administrativos quanto da operação fabril.
Nas unidades que não contam com berçário físico, a empresa oferece apoio financeiro para creche externa. Já nas unidades com estrutura própria, o serviço é integralmente custeado pela companhia durante o horário de trabalho do responsável.
“O berçário trabalha todas as dimensões do bem-estar que a gente acredita”, afirma Patricia.
A estratégia está organizada em cinco frentes emocional, social, física, financeira e ambiental.
No aspecto financeiro, o colaborador não tem custo com o serviço. No emocional, o retorno da licença parental ocorre com mais segurança. No social, fortalece-se o vínculo entre família e organização.
No físico, o ambiente é adaptado ao desenvolvimento infantil. No ambiental, a metodologia pedagógica mantém coerência com os valores da marca.
Paternidade ativa e equidade de gênero
Originalmente voltado às mães, o berçário passou a incluir também os pais. A mudança está alinhada à estratégia de diversidade e equidade da companhia.
“Trazer os pais para este lugar nos ajuda a combater realmente esse viés inconsciente de que a responsabilidade é sempre da mulher”, afirma Patricia. Segundo ela, incentivar a corresponsabilidade contribui para reduzir a sobrecarga feminina e fortalecer os vínculos familiares.
A presença ativa dos pais no espaço é vista como parte de uma transformação cultural mais ampla. “No final do dia, diminui muito a carga materna também. É um trabalho onde a gente tem fortalecido o tecido social mesmo”, diz.
Investimento em cultura e desempenho
Para a diretora, a sustentabilidade do modelo está na convicção de que não se trata de despesa operacional. “Vem da nossa convicção de que não é custo, ele é um investimento. A gente está investindo no bem-estar dos nossos colaboradores e das nossas famílias.”
Em um cenário corporativo que discute retenção, experiência do colaborador e equidade de gênero, a iniciativa da Natura demonstra como políticas de RH podem ser estruturadas com visão de longo prazo. Ao integrar o cuidado com a primeira infância à estratégia organizacional, a companhia consolida um modelo em que cultura, desempenho e propósito caminham juntos.
